Capítulo X

Cinco meses de Luto … Te amarei por toda a eternidade


No dia seguinte lágrimas estavam em todos os cantos pela casa de Vivian, nenhuma palavra do mundo podia fazer com que elas parassem.

O final da festa foi algo pertubador, enquanto as meninas eram as únicas no salão (além de alguns adultos também) uma menina perdida de sua mãe descia as escadas do porão, quando deu por falta da filha, a mãe começou a gritar desesperadamente.

A procura durou cerca de quinze minutos, a menina ruiva de olhos mel esverdeado apareceu pela pequena porta de acesso ao porão, no seu vestido rosa bebê havia uma gota de sangue e ela carregava um dedo ensanguentado.

Houve vários gritos femininos, os homens presentes no local desceram cuidadosamente pela escada, mesmo escuro conseguiram identificar algo viscoso pelos degraus.

Foi nesse exato momento que Fernando sumiu, enquanto saia da cozinha com alguns salgados para as meninas, viu o dedo em cima de uma das meses, todos em pânico e a gota de sangue no vestido da menina.

Ele começou a suar frio, deixou a bandeja na mesa mais próxima e correu para o nada.

Naqueles segundos de pânico ninguém percebeu, a aliança de Vivian escorregou pelos seus dedos, caiu sem fazer som algum, era o fim para alguém qual o nome se perdeu na eternidade.

Os homens voltaram, não conseguiam falar, só pediram paraque chamassem a polícia.

Chamaram.

Quando os políciais chegaram, já haviam retirado as meninas do salão e suas mães também, ninguém encontrou a mãe de Vivian, só nesse momento sentiram a sua falta e a perguntas começaram a se formar.

Todas passaram aquela noite e as outras na casa de Vivian, o silência chegou e reinou naquela casa por meses.

No dia seguinte o salão estava totalmente fechado, não queriam deixar que ninguém entrasse, mas não sabiam que havia uma entrada direta para o porão por uma portinha pequena atrás do salão, que estava encoberta por flores azuis.

Vivian não queria entrar, mas algo a puxava para aquele local que pertenceria aos seus pesadelos pelos próximos anos.

Com um pouco de dificuldade todas chegaram ao destino final, a cena era o imaginável, havia sangue por todos os lados, no meio do porão, em cima de uma mesa estava a cabeça de seu pai, ele estava com os olhos abertos, as outras partes do seu corpo estavam espalhadas pelo local.

Dedos, braços, pernas, fios de cabelo, e o seu tronco pendurado por uma corda em cima de onde Vivian se encontrava, ela só notou quando o sangue pingou no seu ombro.

Um grito de dor ecoou por toda a cidade, enquanto seus olhos expulsavam uma parte da sua dor para o mundo, ela só conseguiu ler a seguinte frase, que foi feita no sentido em que os olhos de seu pai olhavam:

Te amarei por toda a eternidade

Os políciais tentavam entrar pela porta trancada na tentativa de proteger as evidências daquele crime tão cruel, como um reflexo Alice puxou Vivian e no momento seguinte estavam entre as flores azuis.

Elas correram, o seu sangue queimava por baixo da sua pele, ela queria parar mas o desejo de encontrar um lugar seguro era maior.

Os rostos de todas as pessoas que ela amava apareciam na sua mente, sua família, suas amigas, todos que faziam da sua existência a melhor possível.

Os próximos cinco meses foram recheados de dores, pesadelos, procuras por sua mãe e apesar de todas as tentativas o silência reinou por completo.

Alguns dos familiares de Vivian vieram para morar com ela, suas duas tias e seus avós vinham com uma certa frequência, as meninas passavam quase todos os finais de semana na casa de Vivian e suas famílias sempre a convidavam para passar alguns dias com eles.

Pouco a pouco a polícia desistiu do caso, eles nunca estiveram muito interessados em descobrir a razão da morte de seu pai, tentaram sumir com os restos dele, mas a família não deixou, o caso foi arquivado, causando a revolta das mulheres da cidade e deixando todos os homens a suar frio daquele dia em diante.

No final daqueles cinco meses tudo continuava igual, Vivian estava mais alegre, mas estava um pouco fechada, mal falava sobre os seus sentimentos e vontades.

Ela tentava disfarçar mas não sabia mentir.

Quando chegou o dia do enterro ela estava abatida, pálida, sem vida, não havia nenhum sinal da sua mãe.

Todas estavam lá, as seis de mãos dadas, não trocaram palavras mas o calor dos seus olhares foi o suficiente para Vivian saber que elas sempre estariam lá.

Na lápide, a única frase escrita foi:

Te amarei por toda a eternidade, pai.