Mac City 2

 

 

 

 

 

 


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-Inicialmente gostaria de pedir desculpas pelo atraso nas atualizações do site de Mac City. Infelizmente a segunda temporada foi cancelada. Além de questões pessoais, tive vários problemas técnicos e acabei perdendo lotes que já estavam prontos, personagens, capítulos inteiros, etc.

-Peço desculpas novamente por ter prometido a segunda temporada e não ter sido possível cumprir.

-Abaixo vocês podem conferir os dois primeiros capítulos (sem fotos) da segunda temporada. Eu tinha até o capítulo 8 escrito, mas só os dois primeiros foram recuperados.

Fernando

Capítulo 1

Há quanto tempo não tiro um tempo só pra mim, para pensar um pouco sobre toda minha vida e jogar tudo no papel. A última vez que escrevi aqui já faz tantos anos, época de algumas lembranças tristes de uma fase um pouco complicada para mim e outras pessoas muito queridas, mas lendo a página anterior com uma data tão antiga me encho de alegria por ver que tudo foi superado e sobreposto por dias cheios de felicidade.

Hoje tive um daqueles momentos nostálgicos e deu vontade de escrever, relembrar o que já passou e planejar o que está por vir. Foram poucos anos perto de toda a vida que ainda tenho, mas tanta coisa aconteceu, tanta coisa mudou e posso dizer com certeza que não sou a mesma pessoa daquela época do início do colegial. Ah, o colegial, até agora a melhor época da minha vida, pena que está acabando. Não digo infelizmente, porque ainda tenho muito que viver, mas que irá deixar saudades, isso não há dúvidas. A escola, os professores, até as provas... e também as colas (é, as vezes temos que recorrer a recursos extremos, ninguém é perfeito), sem esquecer dos amigos, mas esses merecem uma parte especial nessa página, vamos deixar pra daqui a pouquinho. Relembrando tudo o que vivi, lembro também das pessoas que estiveram ao meu redor.

A Zezé, por exemplo, que mulher maravilhosa, um exemplo de perseverança, força e dignidade. Passou por tantas provações, mas manteve-se a pessoa forte que sempre foi. Sei que às vezes ela não consegue suportar tudo sozinha, afinal não é nada fácil. Primeiro o Francis que sempre foi um filho problemático, rebelde, mas não por culpa dela que fez o que pode, porém as coisas acabaram saindo do controle e ele caiu naquela triste vida.

Envolveu-se com os DDD, aquele grupo de “amigos”, cada um pior que o outro, que o usou e o levaram para o mundo das drogas, quase acabando com a vida dele.  Hoje ele está bem, pelo menos aparentemente se livrou do vício e se mostra uma pessoa melhor. Se não bastasse os problemas com o filho, tem a Débora, extremamente egoísta, fria e ambiciosa, essa sim foi quem mais mal fez à mãe.

Tramar com o Ricardo a morte do casal Macfay por dinheiro foi uma coisa tão mesquinha e suja, hoje ela é apenas digna de pena, mas está pagando justamente pelos seus atos e só espero que no mínimo ela se arrependa um dia. E a turminha “do mal” não para por aí. Além de ter abandonado a esposa tão jovem com dois filhos, o Júlio resolveu aparecer depois de anos para fazer o que fez, claro que só por dinheiro também. Maldito dinheiro que custou tantas vidas. Mas não quero ficar me lembrando de coisas tristes, então deixa ele pra lá.

O que importa é que hoje Zezé finalmente tem uma vida tranquila e feliz. Continua cuidando do Nicolas como o filho que ela sempre o considerou, o Francis não dá mais tantos problemas e ela pode trabalhar em casa como sempre gostou, com a companhia de Alfredo, seu amigo de tantos anos, que apesar da idade que já vem chegando, continua sendo aquela alma boa e caridosa de sempre.

E falando no Francis, que fim terá tido os DDD? A última notícia que tive é que eles estavam quase deixando o reformatório em que ficaram desde a época que foram pegos com drogas no colégio. Será que depois de passar por isso eles resolveram virar gente? Nem chego a ter pena ou torcer pelo bem deles, penso apenas nos pais que tanto devem sofrer vendo os filhos nessa vida e também nas pessoas que eles tanto prejudicaram, como foi com o Francis.

Mas nada melhor pra esquecer essas coisas tristes do que ter boas recordações com pessoas especiais, meus amigos e minha família. Drica, Lipe, sempre tão amigos, companheiros, estiveram do nosso lado enfrentando todas essas barreiras juntos conosco. E continuam namorando, mais apaixonados do que nunca! Ainda mais depois de toda a mudança da Drica que está tão linda, mais confiante e com a auto-estima lá em cima, não teria como o Lipe não ficar cada vez mais encantado com ela.

No quesito casais o colégio de Mac City deu o que falar! Quem não lembra das idas e vindas da Isis com o TJ? O TJ, apesar de um pouco frágil e muito fácil de ser manipulado, é uma pessoa boa, merecia alguém melhor ao lado dele, mas fazer o que, ele gosta mesmo dela. Eu não entendo o que se passa na cabeça da Isis. Tão fútil, egoísta, ambiciosa, nunca valorizou quem merece, só consegue enxergar o volume da carteira dos homens, mas acho que aos poucos o TJ está conseguindo fisgá-la, afinal eles estão juntos há um bom tempo e ela parou sua busca incansável por cofrinhos que vestem calça, eu acho.

Falei de tantas pessoas, mas já ia me esquecendo de uma que é a base da minha vida, Cléo... minha mãe! Como sempre, dizem por aí que ela é apenas uma vitrine ambulante que vive do dinheiro que meus avós deixaram. Não posso negar que minha mãe adora passar horas no shopping, se vestir bem e não faz a mínima questão de esconder isso, mas quem a vê apenas por aquelas roupas de marca, ignoram a mulher maravilhosa que ela é. E como ela está feliz! Ainda está namorando o Eduardo, os dois se dão extremamente bem, ele a trata como uma mulher merece e adora passar um tempo com nós duas juntas. Um futuro padrasto? É, não duvido muito que esteja vindo um casamento por aí, mas prefiro considerá-lo um querido irmão mais velho.

E não para por aqui as pessoas novas na família. Meu pai casou-se novamente, a Paula, esposa dele, é uma simpatia. Eles continuam morando fora da cidade, mas sempre que dá nos vemos. Meu pai mudou muito depois de tudo que aconteceu, tornou-se um homem muito melhor e decidiu começar uma nova vida, sem mágoas e sem mentiras, por isso ele tomou a iniciativa de me contar que estava envolvido em toda aquela tramóia contra o casal Macfay. Finalmente pude entender o real motivo da separação dos meus pais, foi difícil aceitar, nunca imaginei que ele seria capaz, mas vi o arrependimento nos olhos dele e o perdoei.  E preferi não contar isso ao Nicolas, foi tudo tão difícil pra ele e quando ele finalmente superou, não seria eu que ia ficar remoendo o passado. O Nic...

(Cléo) – Filha, o Nic acabou de chegar, está lá em baixo te esperando.
(Clarissa) – Obrigada mãe, fala pra ele que já estou descendo. Depois continuo aqui...
(Cléo) – Escrevendo no seu diário?
(Clarissa) – Sim, fazia tanto tempo que eu não escrevia nele. Bom, vou me arrumar.
(Cléo) – Adoro essa parte, posso te ajudar a escolher a roupa?


(Clarissa) – Não senhora, sempre que você me ajuda a escolher o que vestir leva horas e horas, mesmo a roupa sendo pra mim! E outra, o Nic está esperando, vai lá fazer companhia pro teu genro né?
(Cléo) – Nossa, é verdade. Essa minha cabeça de vento ainda me mata...

(Cléo) – Nic, a Clarissa está se arrumando e já desce.
(Nicolas) – Será que vai demorar? Me atrasei um pouco, o Lipe e a Drica devem estar nos esperando.
(Cléo) – Vai ser rápido, ela nem me deixou ficar com ela. Infelizmente nesse lado a Clarissa não puxou nada à mãe.
(Nicolas) – Puxou na beleza, que tal?
(Cléo) – Sempre gentil meu genrinho, adoro! Mas então, aonde vocês vão?
(Nicolas) – A Drica chegou de viagem há poucos dias, mas ainda não nos vimos. Vamos nos encontrar pra passar o dia juntos, contar as novidades e aproveitar os últimos dias de férias.
(Cléo) – Ah sim, curtam mesmo, porque quando as aulas voltarem...
(Nicolas) – Nem me lembre, será uma maratona de estudo, último ano da escola é complicado.
(Cléo) – Mas vale a pena, vocês serão recompensados pelo esforço.

(Clarissa) – Oi Nic!
(Nicolas) – Ei, está pronta?
(Clarissa) – Prontinha, vamos?
(Nicolas) – Correndo então, o Lipe e a Drica devem estar nos esperando. Tchau Cléo.

(Clarissa)  - Tchau mãe, volto para o jantar!
(Cléo) – Bom passeio, divirtam-se!

(Clarissa) – Que saudade que eu estou da Drica!
(Nicolas) – Eu também, aquela doidinha faz falta.
(Clarissa) – O Lipe que o diga, ele já não estava mais aguentando de tanta saudade.
(Nicolas) – Nem me fale, ele não falava em outra coisa. E a ansiedade pra buscá-la no aeroporto então? Acho que ele chegou umas duas horas antes do voo dela, mas já devem estar no parque nos esperando.

Enquanto isso, no parque...

(Drica) – Calma mocinho, estamos em público!
(Lipe) – Quase um mês sem ver a minha namorada e nem posso matar a saudade direito?
(Drica) – Vamos ter muito tempo pra isso seu apressadinho!

(Lipe) – Não sei por que você sempre tem que viajar nas férias e passar tanto tempo fora.
(Drica) – Ah Lipe, você sabe que minha família toda mora longe e sempre que meus pais tem oportunidade vão visitá-los e não dá pra me deixar pra trás, também sinto falta deles. Ainda mais que esse é o último ano de escola, ano que vem na faculdade não sei se terei tanto tempo assim. Você bem que poderia ir comigo né?
(Lipe) – Não dá, ano de vestibular, tenho que aproveitar para estudar também.

(Nicolas) – Até nas férias? E depois ainda diz que não é o maior nerd da turma!
(Lipe) – Nic, Clarissa! Nem vimos vocês chegando!
(Drica) – Se estivéssemos falando mal de vocês, já era!
(Clarissa) – Credo! E teria o que falar mal de nós?
(Drica) – Brincadeira boba!

(Nicolas) – E aí Drica, como foram as férias?
(Drica) – Ótimas! Aproveitei bastante, descansei e recarreguei as energias, pronta para enfrentar o último semestre antes do fantasma do vestibular!
(Clarissa) – Nossa, nem me lembre. Tirei as férias pra esfriar a cabeça também, não pensar nisso de jeito nenhum, já estava começando a pirar. Mas parece que alguém não fez isso, né Lipe?
(Nicolas) – Esse daí é um caso sério, praticamente nem nos vimos direito essas semanas. Já estava até pensando que você tinha ido viajar escondido na mala da Drica.
(Lipe) – Como vocês são implicantes! As provas já estão praticamente aí, estudar mais um pouco nunca é demais.

(Drica) – Ai, nas férias é apelação, eu não aguento! Falando em vestibular, já sabem o que vocês irão fazer?
(Clarissa) – Acho que já me decidi desde pequena, sempre quis ser advogada. Nos últimos meses tenho pesquisado sobre essa área, conversado com alguns profissionais e tive certeza que é isso que eu quero.
(Drica) – Inveja dessa sua certeza! Estou meio perdida ainda, acho que vou para alguma área da saúde, mas sei lá, são tantas opções. A única certeza que tenho é que vou correr de exatas, tenho verdadeiro horror a números, diferente do meu namorado né Lipe?
(Lipe) – Não sou nenhum aspirante a matemático maluco, mas sempre tive facilidade com números, devo partir pra essa área, engenharia talvez. E você Nic?

(Nicolas) – Administração, praticamente certo.
(Clarissa) – Sério? Pensava que você não tinha paciência pra essas coisas, ainda mais quando você ouvia as conversas entre o Camilo e a Zezé sobre os rumos da empresa do seu pai e ficava todo entediado.
(Nicolas) – No início sim, mas era por não conhecer muito bem as coisas e não entender absolutamente nada. Procurei o Sérgio e o Camilo para eles me colocarem a parte das coisas, pelo menos o básico que eu precisava saber e acabei achando bem interessante.
(Drica) – Vai ser bom pra você e te facilitar muito as coisas. Você vai poder estagiar na sua própria empresa!
(Nicolas) – Verdade... mas vamos deixar esse papo de vestibular e profissão pra lá, ainda temos uma semana de férias, vamos aproveitar.

(Lipe) – Concordo. E então, quais são as novidades?
(Clarissa) – Fica trancado em casa estudando, dá nisso, fica perdido!
(Lipe) – Não exagera né Clarissa!
(Drica) – Mas contem gente, como andam as coisas por Mac City? A Zezé, Alfredo, Francis, como eles estão Nic?

(Nicolas) – Estão bem. A Zezé passa praticamente todo o tempo em casa trabalhando e cuidando do Alfredo. Ela investiu bastante em uma pequena confecção lá em casa mesmo e está adorando. Os negócios estão indo muito bem.
(Clarissa) – E com razão, ela faz peças de artesanato, decoração, roupas, cada coisa mais linda que a outra.
(Nicolas) –Quando ela não está em casa trabalhando, está visitando a Débora. E a propósito, falta pouco tempo para ela deixar a prisão.
(Drica) – Não brinca! Já?
(Nicolas) – Já se passaram quase quatro anos Drica.

(Lipe) – E você sabe como é a justiça nesse país, eles sempre tentam aliviar o lado dos presos, reduzem a pena por bom comportamento e um monte de coisa.
(Clarissa)-Mas a pena dela não era tão alta assim, afinal quem mais estava sujo  naquela história toda era o pai dela.
(Nicolas) – Realmente. Aquele lá sim vai apodrecer atrás das grades.
(Drica) – Tenho tanta pena da Zezé, ela passou por tanta coisa.

(Nicolas) – Mas hoje está tudo perfeito para nós, até o Francis parou de dar trabalho. Quem diria que um dia seríamos praticamente irmãos.
(Lipe) – Ele deixou mesmo as drogas?
(Nicolas) – Graças a Deus. No começo ele tinha várias recaídas, fazia escândalos lá em casa. Nossa, passamos por cada uma! Mas pegamos no pé dele o tempo todo, se faltava força de vontade pra ele, nós tínhamos de sobra. Até hoje ele frequenta o grupo de apoio, isso o ajuda muito. Ele vinha ver vocês também, mas tinha reunião.

(Clarissa) – Que parece que já acabou. Olha ele ali jogando bola com uns garotos.
(Nicolas) – Ué, que estranho, ele deveria estar lá ainda. Vamos lá falar com ele.
(Drica) – FRANCIS!!!
(Lipe) – Nossa Drica, que berro, mais um pouco me deixa surdo!
(Drica) – Estamos em quatro, ele que venha até nós, é mais prático.

(Francis) – E aí galera! A fim de jogar uma bolinha com a gente?
(Nicolas) – Pensei que você estivesse no grupo de apoio.
(Francis) – Ei Nicolas, já falei que não gosto que você fique comentando sobre isso perto dos outros.
(Clarissa) – Imagina Francis, somos seus amigos, não precisa ter vergonha de nós!
(Francis) – Eu sei, não me levem a mal, é que só não me sinto muito a vontade. Bom, o que importa é que hoje não fui à reunião ok? Não preciso mais ir sempre, aquilo já me cansou. Só não comenta nada com a minha mãe Nicolas, ela vai pegar no meu pé, certeza!

(Nicolas) – Tudo bem, se você acha que não tem necessidade, só não acho legal mentir pra sua mãe. Por que não fala isso pra ela?
(Francis) – Vou falar, mas deixa isso entre nós. E aí, vamos jogar ou não?
(Nicolas) – Topa Lipe?
(Lipe) – Mas e as meninas, vamos deixá-las sozinhas?
(Drica) – Não se preocupem com nós, vamos ficar torcendo!
(Francis) – Vamos então!

(Clarissa) – Olha só quem vem ali, Isis e TJ!
(Drica) – Ai que preguiça daquela garota!
(Lipe) – Você implica muito com ela, dá um crédito vai!
(Nicolas) – É, as pessoas mudam.

(Isis) – Olha quem está por aqui, os dois casais moralmente perfeitos e seu amiguinho viciado.
(Drica) – E vocês ainda querem que eu dê um crédito a ela, fala sério! Escuta aqui garota...!
(Francis) – Deixa pra lá Drica, não se incomode comigo.
(TJ) – Isis, pega leve!
(Isis) – Ai TJ, você e essa sua mania de me corrigir, que saco!

(Drica) – Não tenho nada contra você TJ, mas pelo amor de Deus, o que você ainda faz com essa garota?
(Isis) – Só porque não tem mais aquela coleção de pneus no lugar de uma cintura você está se sentindo a poderosa né Adriana?
(Clarissa) – Gente, vamos parar por aqui. Vocês não iam jogar futebol?
(Nicolas) – É melhor mesmo.

(TJ) – Caramba Isis, precisava daquilo?
(Isis) – Falei alguma mentira? O Francis não tem moral nenhuma ali, não passa de um drogado!
(TJ) – Ele não é mais assim! E quem é você para julgar alguém e tratá-lo daquele jeito?
(Isis) – E desde quando você levanta a voz pra mim? Vê lá como me trata!

(TJ) – Estou cansado Isis! Eu tento te ajudar, fazer você mudar, mas você não quer, continua maltratando as pessoas, sendo tão fria!
(Isis) – Mas você continua gostando de mim do jeito que eu sou, então qual o problema?
(TJ) – A diferença é que eu tenho vontade de mudar e vou fazer isso. Você está me fazendo mal, me dá um tempo! Vou pra casa...

(Isis) – Como assim vai pra casa? Vai me deixar aqui? Ei TJ, estou falando com você!

(Clarissa) – Alguém sabe o motivo do TJ ainda estar com ela?
(Isis) – TALES JÚNIOR! VOLTE AQUI AGORA!

(Drica) – O motivo de ele estar com ela até agora a pouco eu não sei, mas o motivo por ter acabado de deixá-la nem preciso comentar né? Vai lá Lipe, acaba com eles!
(Lipe) – Vou fazer um gol pra você chuchu!
(Nicolas, rindo) – Chuchu?
(Lipe) – Ah, escapou!

(Isis) – Como eles são patéticos!

Enquanto isso, na casa de Nicolas...

(Zezé) – E então Alfredo, o que você acha?
(Alfredo) – Ficou ótimo Zezé!
(Zezé) – Preciso conseguir terminar essa encomenda a tempo.
(Alfredo) – Eu queria poder te ajudar mais, sou um peso pra você nessa casa.
(Zezé) – Ai Alfredo, odeio quando você fala assim! Você me ajuda e muito! Você pode até não saber costurar, mas você que cuida da papelada de encomendas, finanças, etc. Se não fosse você, eu estaria perdida!

(Alfredo) – Faço muito pouco perto do que você merece.
(Zezé) – Não concordo, acho que você faz até mais do que precisava, só sua amizade já vale por mais que qualquer trabalho manual. Agora vamos parar com esse papo! Vou continuar isso amanhã, agora vou ali na cozinha fazer um bolo, uma torta...
(Alfredo) – Hummm... bom!
(Zezé) – Para a Débora! Amanhã vou visitá-la. Mas claro que vou deixar aquela torta de uva que você adora prontinha também.
(Alfredo) – Faça duas, praticamente não dá tempo de eu comer, esqueceu que temos dois homens em casa? O Francis e o Nicolas não param de comer.

Zezé fica calada.

(Alfredo) – Algum problema?
(Zezé) – Não, nada. É que você falou no nome do Nicolas e eu estava pensando. Como vai ser quando a Débora sair da cadeia? Falta tão pouco tempo. Ela vai ter que recomeçar sua vida do zero, sem emprego, sem uma casa.
(Alfredo) – Está preocupada em o Nicolas não aceitar que ela more aqui?
(Zezé) – É, nem me sinto no direito de pedir isso para ele.
(Alfredo) – Imagina Zezé, o Nicolas não faria isso. Tenho certeza que ele vai dar todo o apoio para você e para a Débora, não se preocupe.
(Zezé) – Tenho que conversar com ele sobre isso...

De volta ao parque...

(Lipe) – Belo jogo pessoal, mas estou fora agora.
(Nicolas) – Já cansou de perder?
(Lipe) – Engraçadinho! Não, daqui a pouco anoitece, vou pra casa tomar um banho e estudar um pouco.
(Drica) – Não acredito Lipe! Chego hoje de viagem e você já vai pra casa?
(Lipe) – Você sabe que eu levo os estudos a sério Drica.
(Drica) – Mas...
(Lipe) – Amanhã nos vemos.
(Drica) – Então tá. Posso ganhar pelo menos um beijinho?

(Drica) – Te amo meu nerdizinho!
(Lipe) – Eu também sua implicante!

(Nicolas) – Nos vemos amanhã então Lipe?
(Lipe) – Se eu tiver tempo sim. Tchau pessoal!

(Clarissa) – Ei Drica, não fica assim. Uma hora essa paranóia do Lipe de estudar tanto passa.
(Drica) – Não sei não. Ser trocada por um livro de matemática é o ó!

(Nicolas) – Vamos comer um cachorro quente com a gente, depois te deixamos em casa.
(Drica) – Você vai também Francis?
(Francis) – Opa, claro, estou varado de fome.
(Drica) – Então sim, pelo menos não fico de vela sozinha.

Capítulo 2

(Nicolas) – Oi Zezé, onde vai com tanta comida?
(Zezé) – Oi querido! Estou indo visitar a Débora.
(Nicolas) – Só não me ofereço para ir junto porque posso comer boa parte disso no meio do caminho.
(Zezé) – Imagina Nicolas, eu sei que deve ser difícil pra você aceitar a Débora, muito menos ir visitá-la e...
(Nicolas) – Estava brincando Zezé, não vejo mal nenhum em ir com você, mas marquei de encontrar com o pessoal no clube.
(Zezé) – Você tem o coração tão bom meu filho. Aproveitando a oportunidade, queria conversar com você sobre a Débora quando voltar, pode ser?
(Nicolas) – Claro!
(Zezé) – Está bem então, estou indo. Bom passeio com seus amigos.

(Francis) – Indo ver a delinquente da família mãe?
(Zezé) – Ai Francis, já falei mil vezes pra você não se referir assim à sua irmã! Você já não é nenhum garotinho pra se comportar dessa forma!
(Francis) – Tá bom, tá bom, não está mais aqui quem falou, que estresse! Mas vem cá, deixou alguma coisa pra gente comer ou só ela tira a barriga da miséria?
(Zezé) – Tem uma torta na geladeira. Tchau meninos!

(Nicolas) – Caramba Francis, você não dá uma dentro com a sua mãe hein?
(Francis) – Qual é Nicolas, bancar o bonzinho até com a Débora já é demais! Ela estava envolvida até o pescoço com a morte dos seus pais cara, acorda!
(Nicolas) – Me admira você, o próprio irmão dela, recriminá-la tanta enquanto eu nem lembro disso mais.
(Francis) – Santo Nicolas!

(Nicolas) – Mas isso não vem ao caso, o problema é essa sua mania de falar da Débora assim pra Zezé. É a filha dela, acha que ela não sofre?
(Francis) – Já entendi, desculpa senhor perfeitinho! Agora chega desse papo que eu estou varado de fome!
(Nicolas) – Só mais uma coisa...

(Francis) – Lá vem ele... Fala criatura!
(Nicolas) – Já falou com a Zezé que você decidiu parar de ir às reuniões do grupo de apoio?
(Francis) – Caramba Nicolas, cuida da sua vida! Estou saindo!
(Nicolas) – Francis, espera!

(Alfredo) – Parece que alguém acordou de ovo virado hoje. Algum problema Nicolas?
(Nicolas) – Espero que não Alfredo, espero que não...

Um tempo depois, no presídio feminino de Mac City...

(Zezé) – Oi minha filha, como você está?
(Débora) – Cansada mãe, muito cansada.
(Zezé) – Calma minha filha, falta tão pouco pra você sair daqui.
(Débora) – E o que vai ser de mim depois que sair daqui?
(Zezé) – O que importa é que você pagou pelos seus erros e estarei ao seu lado sempre!
(Débora) – Essas palavras bonitas não vão encher minha barriga ou me dar um teto.
(Zezé) – Não fala assim minha filha.

(Débora) – Mas é a realidade mãe. Sabe qual é o problema da senhora? Bondade em excesso! O mundo não é essa maravilha, como você acha que a sociedade vai me receber? De braços abertos, uma ex-presidiária? Nunca!
(Zezé) – Desde que você tenha se arrependido e demonstre isso, ninguém irá te recriminar.
(Débora) – Isso ainda não resolve metade dos meus problemas.
(Zezé) – Ainda não falei com o Nicolas, mas acho que ele irá te receber em nossa casa.
(Débora) – Será? Depois de tudo o que eu fiz...
(Zezé) – Ele tem um bom coração filha, sabe perdoar e dar uma nova chance às pessoas, dê uma chance a nós também de reconstruirmos nossa família.
(Débora) – Eu só quero sair daqui, só isso!

Enquanto isso, no clube...

(Nicolas) – Vou dar um mergulho.
(Clarissa) – Vai lá Nic! E o Lipe, Drica, não vem?
(Drica) – Ai Clarissa, o Lipe está um problema sério, completamente fissurado com os estudos, nem tem tempo para nós mais.
(Clarissa) – Tenta entender o lado dele, o que ele mais quer é conseguir passar no vestibular esse ano.
(Drica) – Isso todos nós queremos, mas não é por isso que até nas férias, única oportunidade que vamos ter pra relaxar e ficar juntos, temos que nos matar de estudar. Ele disse que estava com tanta saudade, mas agora que estou aqui, ele nem liga.
(Clarissa) – Você já conversou isso com ele?
(Drica) – Conversar como se a gente nem se vê?

(Nicolas) – E aí meninas, qual é o papo?
(Drica) – Aquele amigo CDF seu!
(Nicolas) – Ah, pois é, o Lipe nem veio, deve estar estudando pra variar.
(Drica) – Fala com ele pra mim Nicolas, se continuar assim não sei como vai terminar essa história, parece que nosso namoro está esfriando.

(Nicolas) – Não sei se eu devo me intrometer, acho que você devia falar com ele primeiro. Depois nós vemos o que podemos fazer.
(Drica) – Você tem razão.
(Nicolas) – Mas tenha paciência, é complicado isso. É responsabilidade demais sobre nós esse ano. Por um lado ele está certo, correndo atrás do que ele quer, não tem como convencê-lo que ele está errado sendo que ele está certo...
(Clarissa) – É verdade, um pouco exagerado, mas ele está certo.
(Nicolas) – Cada um sabe seu limite, suas necessidades. Se ele acha que não está estudando o suficiente e tem que se dedicar mais, ele está mais do que certo de correr atrás.

(Drica) – Vocês estão certos.
(Clarissa) – Mas o que não pode acontecer é ele excluir você da vida dele nesse período, afinal você é a namorada dele, vocês devem compartilhar tudo.
(Drica) – Isso que eu penso. Bom, assim que der falo com ele, nem que eu tenha que me fantasiar de livro de álgebra pra ele me dar atenção.
(Nicolas) – Mas não se preocupe Drica, ele gosta de você, vai ficar tudo bem entre vocês.
(Clarissa) – Já não posso dizer o mesmo do TJ e da Isis, olha ele vindo sozinho ali.

(Clarissa) – Ei TJ! Vem sentar com a gente!
(TJ) – E aí pessoal, como vocês estão?
(Nicolas) – Curtindo o máximo que dá os dias finais das férias. Senta aí TJ!
(Drica) – Está sozinho?

(TJ) – Fica tranquila Drica, a Isis não está comigo, não temos nos falado direito.
(Clarissa) – Nós vimos que vocês se desentenderam ontem no parque.
(Drica) – E adorei você deixando aquela idiota no vácuo.
(Clarissa) – Pega leve Drica...
(TJ) – Não esquenta Clarissa, ela está certa. Eu cansei sabe? Por mais que eu goste da Isis não dá mais, ela vai ter que mudar muito se quiser voltar comigo.
(Drica) – Sinceramente TJ, eu acho isso difícil. A Isis é tão fútil, imatura, só pensa em status, poder, parece essas peruas de novela.

(TJ) – Acho que é exatamente por isso que gosto tanto dela.
(Clarissa) – Se for pra vocês ficarem juntos, uma hora ela vai perceber o que está perdendo e volta atrás.
(Nicolas) – É isso aí, não fica nessa. Vive sua vida, aproveita bastante, mulher é o que não falta, olha só em volta nesse clube!
(Clarissa) – Ah é senhor Nicolas? Vai dar uma volta então pra se oferecer a todas essas mulheres!

(Drica) – Foi péssima essa Nic!
(Nicolas) – Estava brincando! O tal de mulher é um problema né TJ?
(TJ) – Eu nem falo nada, olha com quem eu estava namorando?!
(Drica) – Problema? É assim que você nos vê Nicolas?!
(Clarissa) – Que horror!
(Nicolas) – Já falei que estou brincando, só tentando animar o TJ um pouco. E olha só, tirei um sorriso dele!

(Clarissa) – Vou deixar passar dessa vez. Vamos ao vestiário comigo Drica? Já está ficando tarde, tenho que ir pra casa.
(Nicolas) – Mas estamos de férias, não tem essa de “está ficando tarde”.
(Clarissa) – Eu e minha mãe vamos jantar com o Eduardo esqueceu?
(Nicolas) – Ah é...
(Drica) – Vamos então.

(Drica) – E vocês se comportam enquanto vamos lá viu? Nada de ficar olhando pra qualquer par de biquíni!
(Nicolas) – Tá vendo como elas são complicadas?

Mais tarde, na casa de Zezé...

(Zezé) – Oi Nic, como foi lá no clube?
(Nicolas) – Foi legal, pena que o Lipe não foi. E lá na Débora, como ela está?
(Zezé) – Ansiosa, agitada, o normal né?
(Nicolas) – Imagino... Falando nisso, o que você queria falar comigo?

(Zezé) – É sobre a Débora. Em pouco tempo ela sai da prisão e...
(Nicolas) – E o quarto dela estará pronto aqui esperando!
(Zezé) – Ai meu filho, você não sabe o peso que está tirando de mim falando isso. Jura que vai ficar tudo bem se ela vier morar conosco?
(Nicolas) – Claro Zezé. E outra coisa, essa não é a minha casa, é a nossa casa!
(Zezé) – Mas ela fez tanto mal a você...

(Nicolas) – Eu deixei tudo isso pra trás. Lembra o que combinamos quando nos mudamos pra cá? Vida nova!
(Zezé) – Muito obrigada por dar essa chance a Débora, você não tem ideia de como sou grata por isso!
(Nicolas) – Vai dar tudo certo Zezé, fica tranquila.

Zezé deu um abraço emocionado em Nicolas, que retribuiu com carinho.

(Zezé) – Vou dar um jeito no quarto do Francis agora, está a maior bagunça lá.
(Nicolas) – Dá até medo entrar lá dentro. Vou comer alguma coisa aqui e já vou lá te ajudar.

Um tempo depois...

(Nicolas) – Ei Alfredo, aceita?
(Alfredo) – Obrigado Nicolas, já comi.

(Alfredo) – Não pude deixar de ouvir a conversa que você teve com a Zezé hoje.
(Nicolas) – Sobre a Débora  vir morar aqui?
(Alfredo) – Sim, quero lhe agradecer mais uma vez pelo bem que está fazendo a minha amiga. Seus pais estariam orgulhosos da sua atitude. Mas você tem certeza que é isso que quer?
(Nicolas) – Eu vou ser sincero com você Alfredo, eu e a Débora nunca demos certo, por mais que eu tentasse. Depois do que aconteceu, acho que perdoar é difícil, mas eu aprendi a aceitar essa situação. Faço isso pela Zezé.

(Alfredo) – Eu entendo. Estou do lado da Zezé, só quero o bem dela, mas se a Débora não tiver mudado e reconhecido seus erros, não sei como será. Estou fazendo o mesmo que você, dando um crédito a ela.
(Nicolas) – Pra você deve ser tão difícil quanto pra mim, afinal...
(Alfredo) – Ela tentou me matar, pois é. Mas quem somos nós para julgar alguém, certo? Como você disse, faremos isso pela Zezé.

(Alfredo) – Outra coisa que eu queria falar com você era a respeito do Francis. Desculpe se estou sendo intrometido, ouvindo conversas demais nessa casa...
(Nicolas) – Imagina Alfredo! É sobre o grupo de apoio né?
(Alfredo) – É. Já faz um bom tempo que percebi que o Francis abandonou o grupo.
(Nicolas) – Ele parece estar bem, confiante. Acho que não tem problemas.

(Alfredo) – O problema está em esconder isso da mãe dele. E ele não podia ter abandonado as reuniões assim tão repentinamente. Você sabe como são essas coisas.
(Nicolas) – Eu sei... Mas você acha que tem perigo o Francis ter alguma recaída?
(Alfredo) – O Francis é vulnerável e fraco igual a irmã, todo cuidado é pouco. Vamos poupar a Zezé de mais essa preocupação, mas fiquemos de olho nele, certo?
(Nicolas) – Pode deixar Alfredo. Ele já me acha um chato mesmo, falar um pouco mais na cabeça dele não terá problema.